No começo sentia culpa por coisas erradas que fazia, como beliscar a irmãzinha e jogar comida no chão. Depois cresceu, descobriu o que era cidadania e se martirizava por ter sido obrigado a atravessar a rua, certa tarde, fora da faixa de pedestres. Depois veio a culpa-solidária, não se agüentava de ver gente em situação pior que a sua. Passou a noite em claro quando mentiu ao indigente dizendo que não tinha moedas e viu que ele se afastava mancando de uma perna, as roupas sujas e quase rasgadas, de tão gastas, cheias de folhas que pertenciam a seu leito.
Escrito por mariana às 18:46
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Saiu do shopping e caminhou em direção à faixa de pedestres. Depois de um quilômetro, as luzes dos outdoors anunciando lojas tinham perdido seu brilho, e ele coçou os olhos. A noite estava escura, definitivamente escura. Será que estava de óculos escuros? Passou de novo a mão no rosto, nada. Olhou para cima procurando os postes não acesos e se assustou: não encontrou nenhum. Em cima, tudo amarelo, algumas borboletinhas até comemoravam; embaixo, só sombras e escuridão. Deve ser lua nova. Andou mais um pouco, as árvores espaçaram e ele olhou para a esquerda. Lá estava ela, enorme, redonda, cheiona, mas não iluminava nada.
Chegou em casa e colocou o vidro de proteção na tela do computador, estava recebendo estímulos a mais.
Escrito por mariana às 19:08
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