suco


Ele entrou em casa, pegou uma cerveja gelada e foi pro banho. Quando saiu ela já tinha chegado, estava abrindo uma garrafa de vinho tinto. Disse que aquele dia não ía tomar banho, estava com preguiça. Ele segurou sua nuca com a mão gelada da lata de cerveja, pediu que ela tomasse banho, beijou seu pescoço. Ela insistiu que não, a mão dele estava anormalmente fria. É por causa do banho, eu tomei. Ele resmungou e foi para o quarto. Ela foi atrás com a taça de vinho, ele estava esperando. Rasgou a blusa, beijou seu pecoço e grudou as mãos quase roxas nas costas dela. Ela gemeu. Em pouco tempo estavam nus.

Ele se levantou e pediu que ela o acompanhasse. Foram até o banheiro. Ela sorria libidinosa, ele sorria mentiroso. Ligou o chuveiro. Banho assim eu tomo. Empurrou a moça pra debaixo do chuveiro, água na mesma temperatura que tinha regulado para si. Ela começou a tremer e não sorria mais. Chega, vai. Tentou sair, empurrando da sua frente aquele corpo excitado. Não conseguiu. Ricardo, me tira daqui! Ele sorria, estava cada vez gostando mais. Ela já tinha desesquentado de vez, se encolheu em um canto e ficou tremendo, os dentes fazendo barulho. Depois de cinco minutos ele fechou a torneira e a carregou molhada para o quarto. Abriu a janela, a noite mais fria de São Paulo. Subiu em cima dela. 

Ela estava com medo e com frio, jogou o corpo dele para longe e entrou debaixo das cobertas. Não parava de se mexer, o queixo ainda tremia. Você é um maluco... Você é louco, Ricardo. Começou a chorar. Ele deitou do seu lado e puxou um pouco do cobertor para si. Olhava para o teto.

Se você não quer sexo, pode dar sua mão aqui?

Ela deu um pulo da cama e correu em direção ao banheiro. Se trancou. Ligou a água quente e ficou mais de meia hora se esquentando. Quando saiu ele já estava dormindo, o corpo sujo e frio espalhado na cama. Ela se cobriu, apagou a luz.

(mais tarde vou me arrepender desse texto mal escrito, dessa idéia sem sentido. tudo bem, faz parte)



Escrito por mariana às 16:32
[ ] [ envie esta mensagem ]


Os invasores

Existia um propósito inicial nesse texto, mas acho que não o alcancei quando fui escrevendo. De qualquer forma, está aí.

Não junte cinco mulheres e jamais lhes dê bebida ilimitada.

Decidimos entrar no clube. "Só mulheres", dizia o neon. A Clarinha passou mal já na porta, devia ser a fumaça doce que eles jogam na gente. A Laura era a que tinha bebido menos, mas se recusou a ajudar, os rapazes entrariam logo.  Então eu fui.

O caminho para o lado oposto ao palco é sempre o mais fácil, o bando de mulherada histérica ajuda a te empurrar para fora, tentando chegar mais perto. Não sei para quê, pensei na hora, o cara lá na frente não enxerga ninguém. Ele enxerga.

Clara chorou, disse que o namorado não podia ficar sabendo daquilo, e que ela estava arrependida, tudo isso que bêbado-depressivo fala. Não liguei muito, tinha bebido quase o mesmo que ela. Nos olhamos, eu sorri, fiz xixi em cima do vômito e lá fomos nós, dessa vez enfrentar mulheres enfurecidas com essas aí que chegaram tarde e querem ver o gostosão de perto: nós.

O show já tinha começado, meia dúzia de homens semi nus, musculosos e bronzeados, se mexiam no palco. O poder deles é mesmo seu corpo. Suas roupas - se é que se pode chamar aquilo de roupa - eram de extremo mau gosto: três usavam cuecas pretas de vinil, justas. Depois notei que uma delas era fio dental - e as moças parecíamos gostar daquilo. Outro estava de bombeiro, fiquei sabendo mais tarde. A fantasia se resumia a uma cueca parecida com a dos colegas de placo, só que era vermelha. O mocinho loiro tinha algumas tatuagens e tentava se desvencilhar de um shorts camuflado. De repente apareceu pelado, para o deleite das fêmeas excitadas na platéia. O outro, mais comportado, usava uma gravata borboleta branca, contrastando com o resto do corpo negro e a calça justa. Foi esse aí que me viu.

Quando estendeu a mão em direção às mulheres, agarraram seu braço e ele quase caiu no meio de todas - seria seu fim. Devia estar acostumado, porque continuou sorrindo e olhando para nossa direção. Tentei me esconder atrás da Clara, mas ela continuava chorando, vai você senão meu namorado me mata. E eu fui. Segurei o braço do moço de gravata borboleta e subi no palco. Ele começou a dançar e passava a mão no meu corpo, uma invasão. Eu não sabia o que fazer. Não queria me esfregar nele, eu estava com sono e com vergonha. As fêmeas da platéia enlouquecidas, se imaginando no meu lugar. Ele sorria. Vai, dança. Sorri amarelo e depois quase vomitei. Ele percebeu e me ajudou a descer, puxando outra que estava perto.

Você é sortuda mesmo. É, devo ser.



Escrito por mariana às 13:49
[ ] [ envie esta mensagem ]


Sentado na mesa de plástico, do lado de fora do restaurante, pensa em despejar o vidro de pimenta da sua frente no pão de queijo que segura com a mão fria. O gosto seria insuportável. Olha para o lado, o menino de gorro solta fumaça pela boca. Cigarro, e ele tem quinze anos, se tiver. Também solta fumaça, vapor d'água. Tá frio mesmo. O vidro de pimenta ali, segura na mão. Melhor comprar uma água antes. A xícara de café preto está quase cheia na mesa, saindo fumaça de quente que está. Vou queimar a língua duas vezes...

Escrito por mariana às 21:29
[ ] [ envie esta mensagem ]

 
Suco? É, suco. o significante mais próximo do significado. Pense no som. Pense no suco caindo. De uva, de preferência. Suco. Suco. Suco.



Mariana Delfini, quase jornalista, gosta bastante de escrever.







Histórico
30/01/2005 a 05/02/2005
02/01/2005 a 08/01/2005
21/11/2004 a 26/11/2004
07/11/2004 a 12/11/2004
17/10/2004 a 22/10/2004
03/10/2004 a 08/10/2004
05/09/2004 a 10/09/2004
29/08/2004 a 03/09/2004
22/08/2004 a 27/08/2004
08/08/2004 a 13/08/2004
01/08/2004 a 06/08/2004
25/07/2004 a 30/07/2004
18/07/2004 a 23/07/2004
11/07/2004 a 16/07/2004
04/07/2004 a 09/07/2004
27/06/2004 a 02/07/2004
20/06/2004 a 25/06/2004
13/06/2004 a 18/06/2004
06/06/2004 a 11/06/2004
30/05/2004 a 04/06/2004
16/05/2004 a 21/05/2004
09/05/2004 a 14/05/2004
02/05/2004 a 07/05/2004
25/04/2004 a 30/04/2004
18/04/2004 a 23/04/2004
11/04/2004 a 16/04/2004




Eles também escrevem
 FARDO DO DASEIN
 O MENTIROSO
 CHEGA DE SAUDADE
 UTOPIEDADE
 ATENTADO