suco


Kaleidoscope eyes

Levantou do banco um pouco zonza, como se faltasse sangue na cabeça ou coragem no corpo para ir em frente. Depois de alguns passos, o reflexo na vitrine de móveis, estava bonita, até. Cabelo mais liso que o normal, rosto um pouco macilento, é verdade – tinha emagrecido na última semana, combinação de falta de sono e de fome. Os olhos não chegou a ver, estava confusa demais para prestar atenção nos detalhes. Andou até a banca de jornais e comprou uma cruzadinha, precisava de palavras, parecia ter perdido todas as suas. Entrou no shopping e sentou no café. A mocinha veio atender, só pediu uma água porque achou chato demais não comprar nada. Estava lá por causa da música. Já era fim da tarde e o lugar estava começando a encher. No criptograma, um moço pediu para sentar com ela. Pediu soda e quiche de espinafre, trazia um livro.

-Gosto da música daqui.

Ela parou no meio do erre e olhou para ele. Sorriu.

-Ah, você também?

-Eles tocam música boa, mesmo.

-É... Sentei aqui por causa da música.

-Eu também. O quiche nem é tão bom, sabe...

Silêncio de novo. Ela continuou o erre, ele abriu o livro em alguma página e começou a ler. Depois de dois ou três parágrafos, riu.

-Que foi?

-Acabei de ver o nome do autor do meu livro na sua palavra cruzada.

-Onde?

-Aqui, ó, Paulo Coelho.

-Ah, você está lendo Paulo Coelho?

-É, você gosta?

-Bastante...

-Já leu esse?

-Esse não, é bom?

-Tô gostando. Fala de coincidências.

-Não existem coincidências, é tudo destino... Deve ser o que ele fala.

-É mais ou menos isso.

-Por isso que gosto dele.

-É...

Silêncio de novo, ela escreveu Paulo Coelho no espaço e ele continuo lendo. Terminou o quiche.

-Quer um gole?

-Não, obrigada, nem tomei minha água...

-Tá.

Já estava ficando tarde, a cruzadinha dava dor de cabeça, o moço querendo conversar.

-Acho que eu já vou, tá meio tarde pra mim.

Olhou de verdade para ele, então. Já tinha notado que não era feio, parecia bonzinho. Ele olhou de volta e sorriu. Dentes certinhos.

-Ah, tá bom. Prazer.

Estendeu a mão. Ela estendeu de volta. Os olhos se mexiam, agora. Estavam fixos, mas diziam alguma coisa. Eram os mesmos olhos castanhos escuros de antes, mas tinham um moço atrás deles. Desviou.

-Tchau, então.

 

(sem revisão e edição, por enquanto)



Escrito por mariana às 21:54
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Mary Jane

Deitados.
Ela virada para cima, quase fechando os olhos, ele de lado acariciando o cabelo vermelho dela. Ela não desapareceria apesar do escuro.
-Sabe que te amo?
Ela entorta bem pouco a cabeça, encontra os olhos verdes que pedem. Sorri. Volta a estar como antes.
-Dá um beijo.
Ela levanta, apóia o corpo no cotovelo, inclina. Antes de tocar os lábios na boca dele, fecha os olhos, e pode beijar quem quiser.
Bocas, línguas, saliva.



Escrito por mariana às 13:25
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Sentados no banco da praia, olhando o mar que oscilava entre tentar tocá-los ou desistir do que sabia que não aconteceria. A noite não tinha lua e estava um pouco fria. Ele abaixou a cabeça, ela fingiu não notar.

-Está gostando?

-Seria muito romântico se não fôssemos nós dois.



Escrito por mariana às 15:59
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E foi o princípio do fim (ou para André)

e deitou chorando na cama, correu para o quarto, Bateu a porta de casa.

-O pouco costumava bastar.

-Você sabe que é pouco para o que eu quero.

foi então que ela se apoiou na parede, Eu não quero conversar. Ficaram se olhando por alguns minutos. o que fazer agora, Caroline na sua porta, indiferente.

não estava esperando ninguém àquela hora, Lavou o rosto antes de atender a campainha.

 



Escrito por mariana às 13:58
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Suco? É, suco. o significante mais próximo do significado. Pense no som. Pense no suco caindo. De uva, de preferência. Suco. Suco. Suco.



Mariana Delfini, quase jornalista, gosta bastante de escrever.







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