Podia passar no supermercado e procurar morangos, mas a certeza de que eles estariam lá – ontem estavam – era amedrontadora. Decidira há muito tempo não ter vontade de os querer e se deixar surpreender ao descobri-los pelo perfume. Combinou por fim de ir mas não passar perto da prateleira deles. Antes de pagar, desculpou-se olhando o preço da uva e espiou os morangos. Ali, nem sabia direito se muito vermelhos porque desviou logo, fingindo não ter notado.
Escrito por mariana às 15:58
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Há três horas ou três décadas o esperava. Ele chegou, estendeu a mão, conversaram sobre a exposição de fotos que fariam juntos. Depois de dois cafés e duas águas, ele se levantou e foi cuidar da esposa que se recuperava do nascimento do segundo filho.
Escrito por mariana às 18:31
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1993
Sentadas lado a lado, se espiam. Uma tem cabelo comprido em V, a outra carrega os cadernos presos num elástico preto. Cai a agenda dela no chão, no pé da outra. O banco do ônibus apertado, é a outra que se abaixa e pega. Repara que tem clipes coloridos. Uma foto ainda estava no chão, três moços sorrindo. -Você pega...? -Claro, não tinha visto. Ela sorri e abre a agenda em março. Prende os moços no clipes verde. -Meu irmão. -Ah, tá.
Dez minutos depois, uma desce. A outra vê quando ela olha pra trás. Mais dois sorrisos.
Escrito por mariana às 13:34
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