Ainda era noite, ela sentou na caminha e segurou a fada na palma da mão direita. Era a única luz que transformava o quarto todo em cor de rosa. Desceu com cuidado para o chão, colocou a fadinha na almofada. Sentou cruzando as perninhas e ficou olhando. Depois de algum tempo começou a rir das estripulias daquela menina de asas, bem pequenininha, riu tão alto que acordou a mãe. Ela entrou no quarto, bateu a mão no interruptor, e tudo ficou cor de madeira clara. -Liza, que susto. O que você está fazendo aí no chão, filhinha? Vem deitar, vem. Deitou, a mãe apagou a luz, e ficou tudo escuro.
Escrito por mariana às 13:25
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Dez e meia quando tocou a campainha. Abri o olho, Valéria do outro lado da porta. Ajeitei o cabelo, fazia tanto tempo, mais de cinco anos. -Bom dia, Pedro. Apontou a cabeça para baixo, olhei naquela direção. Um menino com bolas de gude no lugar dos olhos sorria para mim, um papel na mão. -Feliz dia dos pais. Peguei o desenho dele, três pessoas, a do meio pequena, de mãos dadas no giz de cera. Meu atestado de culpa.
Escrito por mariana às 11:15
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