Acende a vela que morre toda noite. Os pés muito fracos a sustentam até o banheiro. Ajeita o cabelo num coque, as mãos finas encaixam a dentadura. O espelho balançando no arame mostra o canto do olho escondido.
Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal!
O café de ontem, leva ao fogo e enche o copo de vidro; o pão ainda em cima da mesa. Engolia seco, a filha entrou. Já é hora, mamãe. Empresta o braço para andarem seguras, atravessam a soleira. Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo, na direção da cruz ao lado da foto dos rapazes.
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram!
Véus pretos marcham quietos através da neblina. Na igreja, filhas seguram mães, noivas amparam sogras, irmãs choram entre as contas do terço. A Ave Maria murmurada, o Padre Nosso engasgado. Fecha os olhos.
Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!
Escrito por mariana às 19:49
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